Caleidoscópio
"Enganos de alma e fome dos sentidos" canta-me a Carminho aos ouvidos. Lia alguém no outro dia que dizia que a melancolia é uma conversão da tristeza em beleza. Parece-me adequada a ilustração para uma palavra que me legenda sem me acorrentar. Ser apadrinhada pela melancolia afinal não é assim tão mau. É uma lente optimista sobre uma espécie de saudade do irrepetivel pela mera passagem do tempo. É uma espécie de estado de adoração genérico do que já não volta. Creio haver uma miscigenação (se vos ocorrer ir ao dicionário, trata-se de uma perda de diversidade genética - precisamente o que quero dizer) entre fado e melancolia. Nunca vi a melancolia com a qual me habituei a conviver, especialmente revisitada por música ou registos a que associo a determinadas memórias, como uma ida sem retorno, com o predeterminismo do fado, do destino traçado pelos mares e pelos deuses do Atlântico que banha esta nossa costa ocidental. Quero com isto dizer que ambos frequentemente são col...